PSICANÁLISE

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J.Lacan

“”O que disse aqui apresenta pelo menos, a partir do momento em que é mostrado, o caráter de revelação de uma evidência-quem pode negar que a filosofia tenha sido sempre um empreendimento fascinatório em benefício do senhor? No outro extremo, temos o discurso de Hegel e a barbaridade chamada de saber absoluto. O que pode querer dizer saber absoluto, se partimos da definição que me permiti lembrar como primordial para o que está em nosso encaminhamento referente ao saber? 
Talvez partamos daí na próxima vez. Será pelo menos um de nossos pontos de partida, pois há outro, que não é menor, e é muito especialmente salutar em consequência das barbaridades verdadeiramente intoleráveis que ouvimos dos psicanalistas no que concerne ao desejo de saber. 
Se há algo que a psicanálise deveria forçar-nos a sustentar tenazmente, é que o desejo de saber não tem qualquer relação com o saber - a menos, é claro, que nos contentemos com a mera palavra lúbrica da transgressão. Distinção radical, que tem suas consequências últimas do ponto de vista da pedagogia-o que conduz ao saber não é o desejo de saber. O que conduz ao saber é-se me permitirem justificar em um prazo mais ou menos longo - o discurso da histérica.     
Há de fato uma pergunta a ser feita. O senhor que opera essa operação de deslocamento, de transferência bancária, do saber do escravo, será que ele tem vontade de saber? Um verdadeiro senhor, vimos isto em geral até uma época recente, e se vê cada vez menos, um verdadeiro senhor não deseja saber absolutamente nada – ele deseja que as coisas andem. E por que haveria ele de querer saber? Há coisas mais divertidas. Como terá chegado o filósofo a inspirar o desejo de saber ao senhor? É aí que eu os deixo. Trata-se de uma pequena provocação. Se houver quem descubra algo daqui até a próxima vez, eles me dirão.”                (Lacan, Jacques-O Seminário: livro 17-o avesso da psicanálise-Jorge Zahar editor-Rio de Janeiro-1992) 

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Se a filosofia deve ser tomada, como propõe Lacan, como o discurso do senhor, implica dizer que a filosofia estabelece-se através de ‘leis’, ou seja, de um estatuto em que, também, e por exemplo, está categorizado de forma a propor a reflexão em torno da relação singular-particular-universal. Isto é, a expectativa filosófica gira em torno de, sim, claro, separar e considerar o singular e o particular, porém, de procurar direcionar o discurso para o sentido da universalização, ou ainda, para tornar este mesmo discurso como pertencente ao domínio público geral, ou seja, como pertencente ao caráter compreensível e coletivo da linguagem(...). Logo, é o discurso do senhor, uma vez que a provocação filosófica estabelece-se na circunferência daquele discurso que se identifica e se reconhece como próprio da filosofia em suas respectivas categorias e modos(...). Ou talvez, a provocação para com o saber nos próprios limites do saber. 
Por outro lado, consequentemente, segundo Lacan, não podemos falar de um suposto ‘desejo de saber’, mas, sim, de uma contingência (representada pela relação do grande ‘A’ com o pequeno ‘a’, segundo o próprio Lacan) que supostamente suscite e até incite o sujeito a ser seduzido pela possibilidade de escandir na relação(...). Porém, como se trata de discurso psicanalítico, certamente que a escanção diz respeito exclusivamente ao sujeito outro em sua singularidade. O que resta então é a possibilidade de transitar nos quatro discursos da psicanálise lacaniana, ou seja, principalmente entre o analista e o mestre(...). 
(DANIEL ARAÚJO-colaborador/administrador do site/blog)






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